Quem somos?

A Sociedade Brasileira de Catálise irá, a cada semana, iniciando no dia 23 de junho de 2020, divulgar na sua página da internet um pouco da história de cada um de nossos pesquisadores. Acreditamos aque um pouco desta história e de como a catálise mudou a vida de nossos pesquisadores, será um incentivo para jovens pesquisadores. Resolvemos iniciar com os nossos pesquisadores Sócios Honorários. O primeiro será o Prof. Dr. Martin Schmal, que nos brindou também com um pouco da história da catálise no Brasil.

A Catálise no Brasil

Nos anos 60 a catálise no Brasil era pontual e restrita. Começou na realidade com o Prof. Remulo Ciola em São Paulo. Além de professor de Química na Universidade de São Paulo, trabalhava na primeira indústria de refino do país em Capuava. O Prof. Ciola também inaugurou o curso de catálise heterogênea na USP, sendo pioneiro no país. O seu laboratório montou com o que conseguiu levar da industria, quando o conheci em 1971, recem chegado da Alemanha. As pesquisas em catálise tambem se iniciaram no Centro de Pesquisas da Petrobrás (CENPES), no início dos anos 60, concentradas na área de petroquímica, apoiando principalmente o pólo das indústrias petroquímicas - “Petroquisa”.

PRONAQ – PRONAC

Logo no início dos anos 80, o Ministro do Planejamento Antonio Delfim Neto, criou um Programa Nacional de Química, cujo coordenador era o Prof. Fernando Gallembeck. Era um programa muito amplo visando o desenvolvimento da química no país, com programas separados: “Grandes Equipamentos”; “Processos e Produtos Naturais”; “Xistoquímica”; “Alcoolquímica”, ou seja ao total 12 programas e um deles era de “Catálise”. O Dr. Peter Seidl, coordenador do Projeto de Química no CNPq, procurou-me na época, para coordenar e formar um Grupo de Catálise no Brasil. Após uma série de reuniões em Brasília saiu o primeiro Programa de Química (PRONAQ). O Grupo de Catálise ficou com uma verba relativamente pequena, mas suficiente para comprar pequenos equipamentos, e material de consumo para cada laboratório. O grande desafio era formar os grupos, e fazer um projeto integrado em catálise, procurar novos grupos e coordenar tudo com pouco dinheiro. Procurei na época o Dr. Roger Frety e Dr.Yiu Lau Lam e elaboramos um plano. A idéia era prover estes laboratórios com um teste catalítico e cromatógrafo. Escolhemos os 10 primeiros laboratórios e programamos o plano com os recursos do CNPq, por um período de 24 meses. 

Houve diferentes tipos de problemas estruturais. Nem todos os laboratórios tinham liberdade de gerir o dinheiro e não foram aplicados nos laboratórios de destino causados pelo atraso e a inflação. Houve casos em que o dinheiro dava so para comprar a carcaça do cromatógrafo. Vários projetos foram reprogramados. No entanto, como era esperado, esse projeto andou e vários outros laboratórios se apresentaram no segundo plano. A verba do CNPq foi insuficiente e assim passamos a ter apoio integral da FINEP. A idéia foi a mesma, equipar os laboratórios com uma estrutura mínima de testes catalíticos e agora com equipamentos para caracterizações, como medidas de áreas superficiais, volume de poros e temas ligados a processos catalíticos. 

O Programa Nacional de Química (PRONAQ) foi encerrado logo depois, mas a subárea de catálise continuou e com o apoio da FINEP criamos um plano separado para a catálise, renomeado PRONAC, com C, sob minha coordenação. Mas, depois de 3 anos houve problemas causados pela alta inflação e foi interrompido. Vale ressaltar que este plano foi fundamental e serviu como pilar da catálise nas Universidades no Brasil, criando raízes nas diferentes regiões, principalmente, sul e sudeste e Nordeste. Estava formada a espinha dorsal da pesquisa em catálise no país, que teve reflexo nos diferentes eventos posteriores da SBCat.

Pesquisas nas Indústrias

No Brasil criaram-se 3 pólos petroquímicos importantes, sendo o primeiro e o mais antigo o Pólo Petroquímico de S.Paulo, da década de 60. Toda a tecnologia foi importada e os processos funcionaram, sendo o catalisador um segredo totalmente desconhecido pelos técnicos. Seguiam-se as recomendações dos fabricantes e não se questionava o catalisador, sua procedência ou performance.

Com o apoio da FINEP foram feitos novos investimentos em laboratórios de pesquisas nas empresas na decada de 70, além de Centros de Pesquisas, que deveriam apoiar as pesquisas nas indústrias. Foram feitos grandes investimentos e construídos novos laboratórios de pesquisas em várias indústrias do Pólo de Camaçari, como por exemplo: CIQUINE, COPENE, NITROCARBONO, NITROFÉRTIL, POLIALDEN, etc., preferencialmente para pesquisas em catálise e processos catalíticos, mas também para aparelhar toda a infra-estrutura analítica e plantas pilotos. Em meados de 80 foram montadas duas importantes fábricas de catalisadores no Brasil, ou seja, a Fábrica Carioca de Catalisadores (FCC) e a Newtechnos. A Oxiteno montou uma fábrica de catalisadores para produção de catalisadores em meados de 80, produzindo óxido de zinco e óxido de prata para consumo próprio e para venda.

No início de 1990 interrompeu-se bruscamente todos os projetos de pesquisas nas indústrias do país, com a eleição e posse do novo presidente em1992, Collor de Mello. Foi a fase fatal e mais frustrante do país. Todos os laboratórios nas indústrias fecharam. A PETROQUISA, holding da petroquímica no país foi fechada. Todas as pesquisas industriais e acadêmicas foram interrompidas e sucateadas. Permaneceu a FCC, a Newtechnos e parte da Oxiteno com recursos próprios mas também com grandes prejuízos. Destruiu-se a formação de pessoal qualificado. Fecharam-se todas as firmas de projetos e o país regrediu. Não houve mais apoio para pesquisa científica nas Universidades e conseqüentemente, sofreram todos os cursos de pós-graduação. Durante 10 anos não foram mais contratados jovens para os centros de pesquisas no país.

Sociedade Brasileira de Catálise (SBCat)

O ponto de partida para a criação da SBCat foi a organização do 6º Simpósio Ibero-Americano de Catálise em 1978. No simpósio anterior em Lisboa (1976), eu apresentei um trabalho e com surpresa a Assembléia propôs que eu levasse o próximo Simpósio para o Brasil. Praticamente, ninguém do Brasil até o momento havia participado com trabalho. Era muito temeroso trazê-lo para o Brasil e havia vários votos contrários, principalmente por causa da ditadura reinante no país. Assim, eu pedi um prazo de 6 meses para responder. O Prof. Portella, presidente do Simpósio, insistiu e apoiado por outros colegas procurei a Petrobrás, principal centro de pesquisas no país. O Dr. Leonardo Nogueira, achou temeroso realizar um evento dessa natureza no país. A universidade não tinha condições, tanto financeiras como estruturais, nem conhecimento em catálise e o que fazer?

A idéia foi procurar o Instituto Brasileiro de Petróleo (IBP), que já tinha experiência em organizar eventos de petróleo e petroquímica. Com o apoio do IBP, da Petrobrás e principalmente do CNPq para trazer alguns conferencistas internacionais (Prof. Boudard) realizamos o 6º Simpósio Iberoamericano de Catalise no Rio de Janeiro em 1978. O resultado foi extremamente positivo, pela presença de cerca de 200 pessoas, vindos da Espanha, Portugal, Argentina, México e também de outros países da Europa, como França e Itália. Logo após o Simpósio, fomos incentivados pelos líderes da comunidade ibero-americana e pelos colegas do simpósio a formar uma coletividade de catálise no Brasil. Como? O IBP aceitou e criou-se o subgrupo de Catálise na Comissão de Petroquímica, tendo como representantes as Universidades de cada região do país e representantes da indústria, Petrobras, Oxiteno, Degussa e Petroquisa, sendo o Dr. Leonardo Nogueira escolhido como coordenador. A comissão planejou as seguintes propostas:

(i) Organizar o seminário a cada dois anos;
(ii) Organizar cursos de catálise heterogênea e homogênea;
(iii) Fazer um livro com glossários catalíticos;
(iv) Fazer um levantamento da catálise nas indústrias;
(v) Organizar futuros simpósios Ibero-americanos de catálise;
(vi) Apoiar grupos nos fomentos à catálise no Brasil;
(vii) Criar regionais de catálise no Brasil.

Em 1996, quando realizamos o 8º Seminário de Catálise no Rio de Janeiro, um dos mais importantes, pela presença de conferencistas famosos, como o Prof. Gabor Somorjai e o Prof. Prins, entre outros internacionais, surgiu a primeira idéia de formar uma Sociedade Brasileira de Catálise. No 9 o Seminário de Catálise em S. Paulo, o número de participantes já era tão grande e o Prof. Dilson Cardoso propôs transformá-lo em Congresso Brasileiro
de Catálise da qual fui o primeiro presidente. A criação da Sociedade Brasileira de Catálise deu um impulso sensacional nas relações com as universidades, as industrias e a comunidade internacional.

Um grande desafio foi entrar na nossa Sociedade Internacional de Catálise (IACS) (International Association of Catalysis Societies), que congrega todas as sociedades de países com certo grau de desenvolvimento em catálise. Houve grandes exigências, tais como, publicações constantes em revistas internacionais; interações com as indústrias; realização de congressos internos constantes e participação efetiva nos congressos internacionais. Mais uma vez, aceitamos o desafio e como Presidente da Sociedade e na primeira tentativa, no Congresso Internacional de Catálise em Granada em 2000, apresentamos a nossa proposta, que foi aceita incondicionalmente e com aplausos. Foi o feito mais importante da etapa internacional da Sociedade. Somos afiliados ao IACS desde 2000. A participação dos brasileiros neste Congresso foi muito positiva. Tivemos 26 participantes e um grande número de apresentações. Finalmente, associamo-nos também a Sociedade Ibero-Americana de Catálise (FISOCAT) em 2002.

Quem somos

Nasci na Alemanha e chegamos ao Brasil em 1939 como refugiados em Fevereiro de 1939. Graduei-me em Engenharia Química, em 1964, na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUCSP). Fiz o curso de pós-graduação em Engenharia Química na COPPE Fiz o meu doutorado na Alemanha, na Universidade TU Berlin onde aprendi quimica, tanto teorica como pratica Ao retornar, vim para a Coppe, onde trabalhei mais de 40 anos e com muito sucesso. Confira o CV Lattes aqui

Os desafios

Como pesquisador e docente da COPPE na Universidade Federal do Rio de Janeiro (1971), comecei a desenvolver temas ligados a energia, processos e projetos com a indústria que foram muito importantes para definir o futuro. Cheguei à conclusão de que, do ponto de vista macroscópico, poderia pouco acrescentar ao que já existia, pois tudo já estava praticamente resolvido e aplicado. Assim, procurei estudar e pesquisar temas mais fundamentais ligados a ciência. Mas o maior desafio era que não havia laboratórios disponíveis e como seria possível fazer um trabalho de de alto nível? Na  época do mestrado (1966) nem havia computador no Rio de Janeiro. Havia um único computador 1110 no ITA, em São José dos Campos. Foi para lá que eu viajava todo fim de semana a fim de fazer os cálculos de dissrtação que terminei com sucesso, sendo o meu primeiro trabalho. Na Alemanha tive que revalidar meu diploma de Engenharia, (Dipl. Ing) na Teshnische Universitat Berlin (TU Berlin) em 1968. Terminei o doutorado no final de 1970.

Por que a COPPE? Teria que começar do zero, ensinar sem nenhuma experiência no assunto, sem espaço para laboratório, sem equipamentos, sem dinheiro, sem projeto ou um programa de pesquisa definido, nada, só a esperança. Era um desafio? A situação na época era a mesma em todas as universidades. Perguntei-me várias vezes por que escolhi trabalhar em pesquisa e ensino, sem experiência na indústria, sem o domínio de uma área.

Evidentemente, comecei a enfrentar a situação para realizar o meu sonho. Escolhi uma área que ainda não era muito conhecida nas universidades, mas tinha grande aplicação na indústria. Entendi que a química de um processo é básica para energia, meio ambiente, transformação de produtos naturais, alimentos, etc., mas poucos conheciam os fundamentos e em particular a cinética da reação que ocorre num processo industrial, e era e é exatamente esse o segredo dos detentores de processos em fábricas nacionais, praticamente todos do exterior. Isso é o que chamamos de conhecimento, “know-how”, que as indústrias e os inventores guardam e pelo qual cobram caro. A maioria dos processos está nas patentes, mas os detalhes, não. Consequentemente, dependemos dos inventores aqui ou lá fora.

Mas, para começar, eu precisava enfrentar o primeiro desafio, montando um laboratório. Foi o início, partindo do nada. Não havia mais espaço para montar outro laboratório no imenso Bloco I, e tivemos que procurar outras alternativas. No início de 1975, construímos o laboratório no porão do Bloco H. Não havia infraestrutura.

Mas também não tinhamos unidades e equipamentos? Felizmente, a COPPE tinha uma oficina mecânica onde trabalhavam mecânicos de excelente qualidade e onde construímos as unidades de alta e baixa pressão. Os projetos fazíamos junto com os alunos e técnicos. Aos poucos montamos as unidades.

Fomos pioneiros nos projetos com as industrias. Desenvolvemos catalisadores, estudamos processos como ativação, desativação e regeneração de catalisadores alem de testes de longa duração com catalisadores industriais e novos catalisadores para a Ciquini, Nitrocarbono, Petrobras, Petrosix, e Copesul, Polibuteno, Ultra, PQU, FCC e várias outras outras empresas na decada de 80, através da Coppetec. Construimos  reatores continuos de alta e baixa pressão nas oficinas da Coppe. Foi um sucesso, e conseguimos nos destacar entre os  laboratorios existentes e interagir com a indústria. Isso foi importante para nós, que éramos conhecidos como “teóricos”, mudando radicalmente o conceito da COPPE.

Em 1985 a FINEP (Financiadora de Estudos e Projetos) sugeriu criar um centro específico de catálise para pesquisa e apoio às indústrias, evitando-se dispersão e a duplicação de esforços e recursos numa área científico-tecnológica reconhecidamente das mais demandantes por equipamentos de caracterização específicos. Para potencializar a aplicação de recursos no desenvolvimento de pesquisas que auxiliassem a busca da autonomia técnico-científica do país em catálise, a FINEP nos convidou, na segunda metade da década de 80, para preparar um projeto e montar um centro de catálise. O Núcleo de Catálise (NUCAT) foi então criado, em 1991. Constitui-se num centro de excelência para o desenvolvimento de pesquisas fundamentais e aplicadas, visando formar pessoal altamente qualificado em diferentes áreas e técnicas, prestar serviços relevantes à indústria química nacional e servir de apoio a grupos universitários e centros de pesquisa nacionais.

Infelizmente, no inicio da decada de 90 na era Collor, toda a industria petroquimica parou suas atividades de pesquisas, com grande prejuizo para as nossas atividades. Por outro lado, como novo desafio o  NUCAT criou novos projetos de pesquisas e novas areas , como  nanotecnologia, biomassa e fotocatálise e processos in situ, que possibilitaram avanços científicos e tecnologicos, e principalmente com a formação de pessoal, que foram modelos para a ciencia e tecnologia no páis. A partir de 2003 contamos com grande apoio do MCT e principalmente da Petrobrás, com projetos específicos, como refino de petróleo, alcooquimica e geração de hidrogenio e nanotecnologia. Foram importantes as colaborações de J.L.F.Monteiro, Lydia C.Deigues, Neuman S.Resende, Vera Salim, Carlos A.Perez, M.A.Baldanza, Ayr, Macarrão, Sidnei, Célio, Leila,Anacleto e outros.

Atualmente sou professor emérito da UFRJ e professor colaborador visitante da Poli - USP desde 2014 a convite dos Profs. Oller e Giudici.

Recebi os prêmios mais importantes internacionais da Fundação Humbolt-Research Award 2003 (Alemanha) e da Ciência e Tecnologia do  México 2004 e membro das Academias Brasileiras de Ciências 1998 e de Engenharia 2010 e medalha da Max Planck Fundation em 2014 (CVLattes) e prêmio de excelencia em catálise Roberto de Souza em 2017.

Formei mais de 130 mestrandos e doutorandos de destaque, citando E. Fallabela, Fabio Passos, Fabio Noronha, Victor T. da Silva entre outros.

29 06 sbcat Noticia ProfLeonardoA Catálise e Eu.

Meu interesse pela química foi despertado cedo quando aluno do curso científico em 1947 do colégio Salesianos em Niterói, RJ. Fiquei o responsável pelo laboratório com os instrumentos e reagentes lá existentes. Iniciei em 1950 o curso de química industrial na Escola Nacional de Química (ENQ) da antiga Universidade do Brasil. Logo após o curso foi alterado para Engenharia Química com mudanças no currículo e adição de novas matérias.

Em 1952 comecei a trabalhar no Departamento Nacional da Produção Mineral (DNPM) que ficava na mesma área da ENQ, o que foi um fantástico privilégio. Entre as minhas atribuições manter organizado o laboratório para que os professores estrangeiros desenvolvessem seus trabalhos que objetivavam recuperar produtos químicos valiosos das águas-mãe das salinas da região de Cabo Frio, RJ. Pude usufruir do grande conhecimento daqueles cientistas vindos da Tchecoslováquia: H. Zocher (pioneiro na área de cristais líquidos), P. Kubelka, C. Torok. Naquela época o DNPM mantinha também nos seus quadros o professor Feigl.

Como aluno da ENQ, junto com mais quatro colegas, tentamos por em operação uma unidade piloto de destilação de grandes dimensões. Ao fim do curso três ofertas de trabalho me foram oferecidas:

  • Permanecer na ENQ como assistente na cadeira de física industrial;
  • Tomar posse por concurso na DNPM como engenheiro tecnólogo;
  • Trabalhar no curso de refinação de petróleo da Petrobras visando, num futuro compor o corpo docente do Centro de Aperfeiçoamento e Pesquisa de Petróleo (CENAP).

A idéia da criação do CENAP foi do engenheiro Antônio Seabra Moggi e representou algo único no país com uma visão de longo prazo. Todos os professores eram estrangeiros com larga experiência na área e seriam substituídos por seus assistentes brasileiros ao longo do tempo. Com uma organização excelente, foi coordenada pelo Prof. Ford Campell Willians com grande maestria e sabedoria por muitos anos. Em 1957 o CENAP teve suas atividades ampliadas para envolver pesquisas na área de petróleo. Grandes esforços foram despendidos na criação do novo centro de pesquisas que redundou na criação do CENPES na Ilha do Fundão junto à UFRJ.

Buscando aprofundar os conhecimentos de seus técnicos nas áreas de pesquisa de interesse da Petrobras (catálise), fui estudar nos EUA com o professor Herman Pines (profundo conhecedor de catálise e um magnífico ser humano, mais uma vez fui um privilegiado) na Northwestern University, naquela época o melhor centro desses estudos nos EUA. Obtive o Ms. E PhD em química fazendo uma tese sobre a aromatização do n-heptano 1 C₁₄. Parte dos trabalhos foi patrocinado pela comissão de energia atômica dos EUA.

De volta ao Brasil em 1970 ministrei cursos de pós graduação na área de catálise ao mesmo tempo em que desenvolvia atividades junto ao Instituto Brasileiro de Petróleo (IBP) na Comissão de Catálise com reuniões e organização dos seminários de catálise: o germe para a criação do SBCat em 1998.

Em 1973 foi montado um Curso Avançado em Processos Catalíticos na UFRJ patrocinado pela Petrobras. A coordenação ficou a cargo do prof. Claudio Costa Neto da UFRJ. A parte inicial foi ministrada por brasileiros e na parte final trouxemos três cientistas americanos: Herman Pines, e Robert Burwell Jr. da Northwestern University e Michel Boudart da Stanford University. Os professores estrangeiros ministraram cursos com extensão de três meses cada.

Devo ressaltar que tive o privilégio de conviver com profissionais dos mais altos padrões científicos e humanos. No CENPES externei minha admiração várias vezes por todos que comigo trabalhavam e que em todos os níveis eram os melhores do Brasil. Citar alguns nomes implicaria em incorrer em grande erro de esquecimento de algum e todos foram igualmente importantes. A vocês meus sinceros agradecimentos.

Aposentei-me no CENPES em 1990, mas continuei na catálise por quase 10 anos, sendo por duas vezes professor convidado pela UFRJ – Departamento de Físico-Química.

06 07 sbcat ProfLan noticiaOs eventos que marcaram minha vida profissional são repletos de decisões, oportunidades e sorte. Sorte, especialmente, em encontrar mentores.

A Universidade de Hong Kong, não tem curso de Engenharia Química. Estudei Química e Matemática acreditando poder trabalhar em química aplicada. A Matemática abstrata ensinou-me bem a raciocinar. Em 1972, escolhi a catálise entre os vários cursos de pós-graduação em química aplicada: indústria de papel, geoquímica etc. Assim, tive minha primeira oportunidade e sorte. Fui para Universidade de Stanford sendo orientado pelo Prof. Michel Boudart, pioneiro na área de catálise. Durante doutoramento fiquei como o primeiro estagiário no programa EXXON-Stanford em catálise, orientado pelos doutores John Sinfelt e Robert Garten. Ao conhecer pesquisas e pesquisadores da companhia EXXON, não tive mais duvida de que a catálise é uma área com imensas oportunidades e aplicações.

Depois doutorado, dentre as oportunidades, escolhi a oferta especial do Instituto Militar de Engenharia (IME). A catálise no Brasil estava se iniciando e viver no Rio de Janeiro me-inspirou. A escolha foi bem recompensada. Os excelentes alunos do IME motivam os professores. E logo após chegou o Professor Roger Frety, com larga experiência em pesquisa. Desenvolvemos uma linha de pesquisa de interesse específico brasileiro: o craqueamento de óleo vegetal para obtenção de combustível diesel.

Após oito anos no IME, várias possibilidades sugiram: consultoria na Bahia e posições nas universidades, porém o mais atraente foi como pesquisador no Centro de Pesquisa da Petrobras (CENPES). Em 1985, iniciei pesquisas em catalisadores de craqueamento catalítico (FCC) fazendo um estagio na AKZO-CHIMIE: em um laboratório de um fabricante industrial, mas, que foi uma escola para mim. Parti da área de catálise por metais e entrei para a catálise por zeólitas.

Em 1990, o Dr. Leonardo Nogueira, Chefe do Setor de Desenvolvimento de Catalisadores (SEDEC) e mentor criador do grupo de catálise no CENPES se aposentou. Aceitei o desafio como seu sucessor,quando fui eleito pelos colegas. Reduzi, então, muito a colaboração com a comunidade de catálise: às universidades e à Comissão de Catálise (o precursor da SBCat). Só poderia ter uma prioridade: SEDEC. Aprendi muito: não somente na administração de pesquisa, mas a ser humilde. Aprendi como reconhecer os talentos e a dedicação de tantos colegas. Não devo citar nomes com medo de omissão.

Optei por voltar a ser pesquisador após três anos. Retornei a colaborar com a Comissão de Catálise, sob a liderança dinâmica do Prof. Martin Schmal. O grupo maduro de pesquisa em FCC estava colhendo frutos. Em 2002, realizamos a produção industrial de zeólita ZSM-5 com tecnologia inteiramente brasileira (Após ser compartilhada com Akzo-América, virou uma rota mundial). Novas rotas de preparo e novos aditivos foram desenvolvidos e colocados na prática. Iniciando com a pesquisa básica de um catalisador no laboratório e finalizando com sua aplicação nas refinarias da Petrobras, foi a realização de um sonho.

Por volta de 2006, a Petrobras criou numerosas redes temáticas para gerenciar o grande recurso para projetos de pesquisa junto às instituições nacionais. O gerente representante da área de catálise Oscar Chamberlain no CENPES designou-me o interlocutor técnico da Rede de Desenvolvimento de Catálise. Com a alta confiança da chefia, as grandes motivações das universidades e as experiências acumuladas na indústria, o intercâmbio Indústria-Universidade foi realizado com grande êxito. Criamos grupos de pesquisas em zeólitas, abatimento de emissões e incorporações de biomassa. Junto com os colegas do CENPES e das universidades ganhamos prêmios de invenção praticamente a cada ano, durante mais do que uma década.

Aposentei-me do CENPES em 2016 e mantenho colaboração com grupos de pesquisas industriais e acadêmicas. Agora estou com um novo paradigma: a vida não se trata do que já foi realizado, mas o que ainda está para ser realizado.

13 07 SBCAT Arnaldo Notícia2Formei-me em Química Industrial pela Escola Nacional de Química da Universidade do Brasil em 1968. Em 1969, ingressei na PETROBRAS para fazer o Curso de Engenharia de Processamento, CENPRO. Ao fim do curso fui lotado na então Divisão de Ensaios (DIVEN) do Centro de Pesquisas de Desenvolvimento da PETROBRAS, o CENPES.

Em 1972, montava o Dr. Leonardo Nogueira, no CENPES, um grupo dedicado a pesquisa e desenvolvimento em Catálise. Para formar o pessoal necessário, inexistente localmente, foi estabelecido, em parceria com o Instituto de Química da UFRJ, o Curso Avançado em Catálise e Processos Catalíticos (CAPROC), que valia como curso de Mestrado e era aberto a profissionais do CENPES e a estudantes do IQ/UFRJ. O CAPROC trouxe para o Brasil cientistas de grande renome na Catálise, como Herman Pines (Northwestern), Robert Burwell (Northwestern) e Michel Boudart (Stanford). Foi no CAPROC que cursei meu Mestrado e tive meu primeiro contato com a Catálise Heterogênea. Defendi minha Dissertação em 1975, sob a orientação de Leonardo Nogueira.

Em 1976 migrei para o recém-criado Setor de Catálise da agora Divisão de Tecnologia de Refino (DITER) do CENPES, onde integrei o grupo que desenvolveu o processo de fabricação de eteno a partir do etanol, que mais tarde deu origem a planta industrial implantada na fábrica da Salgema em Alagoas. Esta foi a época das crises do Petróleo, que conduziram o Brasil ao seu pioneirismo na área de Alcoolquímica.

Em 1978, o Setor de Catálise foi transformado em Divisão de Catalisadores (DICAT). Houve então grande esforço de aumento de capacitação técnica do grupo que constituiu a nova Divisão. Neste contexto, fui designado para desenvolver estudos de Doutorado no exterior, tendo escolhido, para tanto, a Universidade de Edimburgo, Escócia, onde ingressei em 1979 e permaneci até 1982, sob a orientação do Prof. Charles Kemball. Minha Tese de Doutorado foi escrita após meu retorno ao Brasil e defendida em 1984.

No meu retorno, fiquei lotado no Setor de Desenvolvimento de Catalisadores (SEDEC) da DICAT, onde coordenei o grupo que trabalhava no desenvolvimento de catalisadores para hidrorrefino, área em que permaneci até minha aposentadoria da PETROBRAS em janeiro de 1993.

Em 1994 ingressei no Instituto de Química da UFRJ, onde, além das atividades didáticas na graduação e pós-graduação, montei o Laboratório de Catálise Heterogênea, que dirigi até minha aposentadoria em 2019 e onde tive oportunidade de orientar 5 Trabalhos de Conclusão de Curso, 9 Dissertações de Mestrado e 10 Teses de Doutorado. Anteriormente, ainda como pesquisador do CENPES, já havia orientado 4 Dissertações de Mestrado, defendidas no NUCAT/UFRJ, IQ/UFRJ e DEQ/UFSCar.

Minha interação com a Comunidade de Catálise foi bastante intensa nos anos 80 e 90. Em meu retorno da Escócia, passei a integrar a Comissão de Catálise do Instituto Brasileiro de Petróleo (IBP), que foi a precursora da Sociedade Brasileira de Catálise, criada em 1998. A Comissão de Catálise era constituída de representantes da Indústria, Centros de Pesquisa e Universidades de todo o país. Ela foi a organizadora dos oito Seminários Brasileiros de Catálise realizados entre 1981 e 1995 e do IX Congresso de Catálise, realizado em 1997, além de ser responsável pela edição de publicações relevantes para a comunidade de Catálise. Na Comissão de Catálise, tive oportunidade de participar como docente de diversos dos Cursos de Catálise por ela promovidos, coordenei a Comissão Organizadora do 4º Seminário Brasileiro de Catálise em Canela, presidi a Comissão Científica do XII Simpósio Ibero-Americano de Catálise em 1990 e fui Coordenador da própria Comissão de Catálise entre 1992 e 1995.

No período pós 1995 continuei a participar ativamente dos eventos promovidos pela SBCAT (Congressos Brasileiros, Simpósios Ibero-Americanos) como autor ou membro de Comissões Científicas.

Em 2017, durante o 19º Congresso Brasileiro de Catálise, tive a honra de ser agraciado com o título de Sócio Honorário da SBCAT.

20 07 SBCAT noticia DilsonO período de formação

Nasci em 1944 em Santos, linda cidade no litoral de São Paulo, descendendo de portugueses e espanhóis. Por um motivo que não consigo explicar, mas que moldou minha vida, desde a infância me deslumbrava com as cores. Como era possível existir tantas cores lindas? Como elas eram formadas?  Ingenuamente, achava que poderia descobrir isso extraindo-as das flores. Com água, sabão ou álcool. E foi assim que me envolvi com a química. Ao concluir o ensino médio, tínhamos bastante claro que queríamos estudar química aplicada. Com esse objetivo, em 1965 ingressei no curso de Engenharia Química da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo. Nessa época, e nos anos seguintes, o Brasil foi governado por Generais, motivo pelo qual, em 1970, decidi dar continuidade aos estudos no exterior. Depois de uma temporada no Chile, fui para a Alemanha e, em 1979 concluí o doutorado em eletroquímica orgânica, na Universidade Martin Luther, na cidade de Halle.

Da eletroquímica à catálise

Em Janeiro de 1980 regressamos ao Brasil, agora com esposa e dois filhos. Com muita sorte, em poucos dias fomos contratados como docente no Departamento de Engenharia Química da Universidade Federal de São Carlos (DEQ-UFSCar), para dar aulas de cinética e reatores químicos. Nesse ano iniciou-se um rápido aumento no preço do petróleo, matéria prima que o Brasil importava para atender a 100% das necessidades do país. Em busca de alternativas, criou-se incentivos para o desenvolvimento de processos que permitissem o uso do etanol como matéria prima, do qual já éramos grandes produtores. Isso despertou-nos o interesse em estudar a eletroquímica do etanol, tema novo que, no entanto, se revelou de difícil realização por falta de infraestrutura e de colaboradores interessados. O DEQ da UFSCar tinha na época cerca de 15 docentes e possuía uma excelente infraestrutura didática. O desafio daquele momento era aglutinar os docentes em grupos de pesquisa. Fomos então convidados para participar de um grupo de professores, liderado pelo Gilberto Della Nina, que se dispunha a estudar temas sobre catálise aplicada à alcoolquímica. Ficamos contentes com o convite, pois iriamos trabalhar em uma equipe (e não mais sozinhos) em tema que envolveria a aplicação do etanol. Respondemos então ao colega, algo que ficou bem marcante: “mas eu não tenho nenhuma experiencia em catálise”. E, de imediato, recebemos como resposta: “nós também não”. Foi assim que, lentamente, fomos nos envolvendo com a catálise, através da leitura, em grupo, de um dos poucos livros que dispúnhamos sobre o tema.

A formação de pessoal

O grupo de catálise se consolidou quando o Prof. Gilberto obteve um projeto no CNPq, com o objetivo de financiar estudos sobre a desidratação do etanol com aluminas catalíticas, para a formação do eteno e éter dietílico. Com os recursos desse projeto foi adquirido um equipamento para medir a área específica de sólidos e instalado o primeiro cromatógrafo a gás no laboratório do grupo. Animado com o novo tema de pesquisa, em 1981 orientamos o primeiro aluno de iniciação científica, no estudo da obtenção de hidróxido de alumínio, visando a produção de aluminas para a desidratação do etanol. Em 1983 nos credenciamos no Programa de Pós-graduação em Engenharia Química da UFSCar, orientamos o primeiro aluno sobre a preparação e emprego do óxido de magnésio na desidrogenação de etanol a acetaldeído e passamos a oferecer a disciplina “Introdução à Catálise Heterogênea”. Finalmente, em 1985, já mais seguros com a catálise, mudamos o rumo dos nossos estudos para a síntese e a aplicação catalítica de zeólitas e peneiras moleculares. Como não tínhamos experiencia com esse material, fizemos um estágio no laboratório do Prof. Jean Michel Guisnet, na Universidade de Poitiers, na França. Lá aprendemos muito sobre zeólitas com o pesquisador ítalo-venezuelano Giuseppe Giannetto. Desde então, continuamos estudando a síntese desses materiais micro e mesoporosos, com o objetivo de desenvolver neles propriedades ácidas, básicas ou bifuncionais, necessárias para terem atividade catalítica. Aplicamos essas peneiras em diversas reações (alquilação de aromáticos, isomerização de alcanos, esterificação e transesterificação) para a formação de vários produtos: para-xileno, para-dietilbenzeno, biodiesel, alcanos ramificados e ésteres alquídicos. Fruto desses trabalhos, formamos cerca de 80 pós-graduandos, mestres e doutores, os quais desempenham hoje atividades como pesquisadores em indústrias químicas ou como docentes em cerca de 20 universidades. A realização dessas atividades só foi possível graças ao apoio financeiro das agências de fomento à pesquisa (FINEP, FAPESP, CNPq) e à interação com indústrias, em especial com a Petrobras e outras empresas químicas (Oxiteno, COPENE, EDN). Os resultados desses trabalhos foram divulgados em cerca de 100 publicações em revistas indexadas, 200 apresentações em congressos científicos, e resultando na distinção em prêmios científicos.

Interação com a comunidade catalítica

Outro enorme prazer que tivemos em nos envolver com a catálise, foi que ela permitiu que desenvolvêssemos uma intensa interação com a jovem comunidade catalítica brasileira e com a comunidade ibero-americana. Nosso primeiro contato externo ocorreu em 1981, ao participarmos do “1º. Seminário de Catálise”, realizado no Instituto Militar de Engenharia (RJ), representando o grupo de catálise do DEQ da UFSCar. Na época, nosso envolvimento com a catálise era muito recente ano e ainda não tínhamos resultados para apresentar no evento. Estávamos lá como observador, para confirmar se tínhamos feito a escolha certa e conhecer os trabalhos de famosos catalíticos atuantes no Brasil, como Martin Schmal, Leonardo Nogueira, Roger Frety e Yiu Lau Lam, entre outros. Essa interação se intensificou ao participarmos das reuniões da “Comissão de Catálise” do Instituto Brasileiro de Petróleo (IBP), empresa do Rio de janeiro responsável pela organização dos nossos eventos. A interação ampliou-se com a participação no recém criado “Grupo Regional de Catálise” do Estado de São Paulo. E teve seu auge em 1997, com a criação da “Sociedade Brasileira de Catálise”, concretizada no “9º. Congresso Brasileiro de Catálise”, realizado em Águas de Lindoia (SP). E tivemos imenso prazer em participar, junto com o Martin Schmal, da primeira Diretoria da nossa Sociedade. Em paralelo tivemos a oportunidade de interagir com colegas ibero-americanos, através do programa de catálise do CYTED (Ciencia y Tecnología para o Desarrollo), mantido pela Espanha. Como consequência, colaboramos na criação da FISOCat (Federação Ibero-americana de Sociedades de Catálise), de cuja primeira Diretoria participamos juntamente com o colega Carlos Apesteguia, da Argentina. Finalmente não podemos deixar de registrar que, através da participação na SBCat, estabelecemos uma forte amizade com os colegas Victor Teixeira da Silva (UFRJ) e Roberto Fernando de Souza (UFRGS), prematuramente falecidos.

Conclusões

A escolha da catálise como área de atuação profissional nos deu muitos prazeres: do ponto de vista científico, pelo enorme aprendizado que obtivemos, ao nos aprofundar  no seu estudo; do ponto de vista tecnológico, pela contribuição que ela nos permitiu dar, ao participarmos na resolução de algumas questões industriais; do ponto de vista pessoal, porque permitiu que contribuíssemos na formação de diversos jovens e que ampliássemos a interação com os colegas da comunidade científica brasileira e ibero-americana. Após 40 anos, continuamos nos dedicando a ela, no Departamento de Engenharia Química da UFSCar, na qualidade de Professor Sênior.

Clique AQUI para consultar o Lattes do professor. 

03 08 SBCAT 2020 Publicacao 2 Notícia1: Instituição: IPT – Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo

1.1 – Coordenação de uma Planta Piloto

Em 1978, o Eng. Kenji Takemoto já Pesquisador do IPT, foi convidado para gerenciar o projeto de uma planta piloto para desidratação do etanol para produção de etileno com o uso do catalisador de alumina ( Al2O3 ) da empresa japonesa JGC. O IPT ofereceu uma área coberta de 150m2 e os equipamentos de análises, reagentes, utilidades, materiais de laboratório. A JGC construiu a planta piloto e alocou o Eng. Quim. Tsunekichi Yamabe. A planta piloto iniciou a operação em julho de 1978 com 7 colaboradores do IPT, e rodou continuamente por aprox. 3 meses, para obtenção de dados básicos para o projeto de uma planta industrial, bem como acompanhar a desativação do catalisador. Vide Foto 1 a planta piloto.

 

Foto 1: Laboratório de Catálise: Planta piloto de avaliação de catalisadores em leito fixo

79.1.Lab.Cat.5.1.Planta Piloto de Aval.Catal

1.2 – Implantação do Laboratório de Catálise e atividades

No começo de 1979, a FINEP aprovou um projeto do Prof. Remolo Ciola “ Catálise & Alcoolquímica “ porém o Prof. Ciola pediu demissão como Consultor do IPT. Desta forma, fui convidado para a implantação. O projeto foi suportado por 2 pesquisadores da JGC através da JICA, Eng. Quim. Tsunekichi Yamabe e Quim. Masamitsu Niizuma.

O projeto FINEP foi radicalmente alterado para estabelecer no IPT um laboratório de catálise Industrial, isto é, um laboratório para dar suporte as indústrias químicas e petroquímicas na área de análise e caracterização de catalisadores, bem como no desenvolvimento e teste de catalisadores em micro reatores.

O IPT ofereceu uma área construída de 450 m2 e colocada nesta área: Escritório, Sala de caracterização e outras salas conforme as fotos abaixo.

Os trabalhos técnicos iniciaram com 11 colaboradores, os 2 pesquisadores da JGC e com a consultoria do Prof. Dr Martin Schmal da UFRJ.

Foram preparados diversos catalisadores em escala de laboratório: Al2O3, ZnO ( Óxido de Zinco ) como adsorvente de H2S ( Sulfeto de H2 ), Fe-Cr, Co-Mo, e outros.

Obs.: Face ao ótimo desempenho do adsorvente ZnO preparado em escala de laboratório ( 50 gramas ) na remoção do H2S em um micro reator contínuo, a seguir foram produzidos 4 lotes ( 1 kg cada lote ) de ZnO em escala piloto, as amostras testadas novamente em um micro reator continuo com resultados similares ao ZnO comercial. O IPT assinou um acordo de transferência da tecnologia deste ZnO com a empresa Oxiteno, a Oxiteno iniciou a produção comercial deste adsorvente ZnO em torno de 1984 vendendo este ZnO para as refinarias de petróleo, indústrias petroquímicas e químicas, onde o IPT recebeu da Oxiteno os royalties sobre a venda. Vide Foto 6 – Óxido de Zinco – ZnO, adsorvente de H2S ( produção em escala piloto ). Nesta época foram assinados também acordo de cooperação com a Eletrocloro - Sto André/ SP, Nitrocarbono – Camaçari/BA, etc,

Foto 2: Sala de Preparação de Matérias Primas e Conformação de Catalisadores

79.1.Lab.Cat.2.sala.Prep.MP e Conformação Copia

Foto 3 – Sala de Preparação de Matérias Primas e conformação de Catalisadores

79.1.Lab.Cat.1.sala.Prep.MP e Conformação Copia

Foto 4: Sala de Produção de Catalisadores em Escala Piloto

79.1.Lab.Cat.3.sala.Prod.Catal. Piloto Copia

Foto 5 - Sala de Avaliação de Catalisadores em Micro Reatores

79.1.Lab.Cat.4.1.sala. Aval.Cat. em Micro reatores

Foto 6 – Oxido de Zinco – ZnO, adsorvente de H2S ( produção em escala piloto)

79.Lab.Cat.6.1.Foto.Prod. Piloto ZnO pó e ZnO extrudado

2: Eng. Quím. Kenji Takemoto, a minha carreira na área da Catálise

Na Coordenação do Laboratório de Catálise do IPT desde 1979, participava das reuniões da Sub Comissão de Catálise e depois na Comissão de Catálise - IBP, bem como nas discussões técnicas e administrativas dos projetos em desenvolvimento. Fui aperfeiçoando o meu conhecimento como bolsista da JICA em 1982 por 1 mês no Centro de Catálise da JGC – Japão, e depois em 1983 por 1 ano no National Chemical Laboratory for Industries na cidade de Tsukuba – Japão.

Em 1987 fui convidado para trabalhar na Degussa ( atual empresa Evonik ) como Gerente de Tecnologia de Aplicação no Departamento de Catalisadores e inicialmente fiz um treinamento de 6 meses na Degussa Alemanha na área de catalisadores automotivos e químicos.

Atuava tecnicamente nas duas áreas. O Proconve ( Programa de Controle de Poluição do Ar por Veículos Automotores ) fase L-1 ( L = veículos leves ) de 1986 estava em vigor e a partir de 1992 a fase L-2 com a necessidade do catalisador de oxidação. Visitava as montadoras da época, obtendo informações sobre os novos motores e dados de emissões veiculares, transferia estas informações para a Alemanha e recebia da Alemanha amostras de catalisadores automotivos para testes nestas montadoras. Baseado nos testes, em 1990 a Volkswagen qualificou o catalisador automotivo da Degussa e depois viabilizou a assinatura de um contrato de fornecimento. Em 1991 a Degussa constituiu a empresa Newtechnos em Americana – SP. Vide Foto 7 – Amostras de suporte e catalisador automotivo. Com a nova empresa ( atualmente pertencente a Umicore ) dedicada para catalisadores automotivos, fui designado para focar o desenvolvimento do mercado de catalisadores químicos.

Foto 7 – Amostras do Suporte cerâmico e do catalisador automotivo

78.c3.1.Suporte e Catal. autom.Foto

A área de Catalisadores Químicos com estrutura “ Vendas & Produção & Tecnologia de Aplicação “ atuando homogeneamente e tendo um portfólio de catalisadores específicos a base de metais preciosos, as vendas cresceram baseada na tecnologia de aplicação do catalisador pela especificidade da reação catalítica do cliente. Esta atuação técnico-comercial atingiu o mercado externo e aumentou expressivamente o volume de vendas. É importante destacar a atuação global da empresa e o suporte advindo desta cooperação, agregando conhecimento e experiência profissional.

Por outro lado, a participação em eventos e Comissão de Catálise/SBCat, bem como o patrocínio dos CBCats e o fornecimento de amostras para as Universidades e indústrias fortaleceram mais o nome da empresa na sociedade catalítica. Esta sinergia da Evonik perante estas instituições contribuíram para o aperfeiçoamento científico e o interrelacionamento pessoal. Para apoiar a catálise no Brasil, desde o 12º CBCat em 2003 a Evonik patrocina o Prêmio “ Melhor Tese de Doutorado em Catálise “. Em 2005, no 13º CBCat fui agraciado com o Prêmio “ Catálise e Sociedade “. Em 2007, no 14º CBCat fui agraciado com o título de “ Sócio Honorário “. Em 2011, assumi por 2 anos a Presidência do Conselho Superior da SBCat.

Em 2011, já como Consultor, depois de vários contatos com empresas, através da Umicore viabilizei a vinda do Prof. Akira Suzuki, ganhador do Prêmio Nobel de Química em 2010 para ser um dos palestrantes do 14º BMOS que foi realizado de 1 a 5 de setembro em Brasília. O Prof. Suzuki estava no programa, porém a Coordenação estava com poucos patrocinadores. Além do admirável sucesso do Prof. Suzuki no 14º BMOS, depois veio especialmente a São Paulo para dar uma palestra para a comunidade Nipo-Brasileira, bem como para a comunidade científica no CRQ-SP com a palestra “ Suzuki Coupling Reactions and its Applications in Chemical Industries “.

Sou muito grato aos colegas das universidades, aos alunos, as indústrias, aos colaboradores da Degussa/Evonik e a SBCat pelo meu desenvolvimento profissional, e pela amizade e companheirismo construídos durante a minha vida pessoal e social.

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