Minha paixão pela Química e pela ciência floresceu nas escolas públicas de Santo André. Aluna do ensino técnico em Laboratório Industrial na ETE Lauro Gomes, entendi que o esforço era o único caminho. Vinda de uma família humilde, fui a primeira a ingressar e me manter na universidade pública, uma conquista viabilizada pelos auxílios estudantis. Essa base me mostrou que a ciência é para todos, e a determinação abre portas.
Na graduação na UFSCar, com o Prof. Edward Ralph Dockal, conheci a catálise homogênea, sintetizando complexos de metais de transição para reações de sulfoxidação, e achei fascinante. O mestrado e doutorado na USP, sob a mentoria do Prof. Benedito dos Santos Lima Neto, pude me aprofundar na química organometálica e polimerização via metátese com complexos de rutênio. Minha formação ganhou uma perspectiva global com um doutorado sanduíche na Alemanha, na Universidade de Stuttgart, com o Prof. Michael Buchmeiser, através do programa Ciência sem Fronteiras. Essa experiência internacional, focada na imobilização de catalisadores catiônicos do tipo Grubbs-Hoveyda para a polimerização em meio bifásico, não só me proporcionou um artigo de destaque no ChemCatChem como também ampliou minha visão sobre a conexão vital entre pesquisa fundamental e aplicação tecnológica.
O pós-doutorado marcou uma transição estratégica: da catálise homogênea para a heterogênea, explorando nanopartículas. Inicialmente com a Prof.ª Liane Marcia Rossi (USP), trabalhei com catalisadores de Au e Pd para oxidação de álcoois e bioderivados num projeto FAPESP. Em seguida, minha jornada me levou à França (Centrale Lille), onde por vários anos atuei intensamente com reações de hidrogenação e oxidação de bioderivados (como furfural, HMF, glicose, hexanodiol) com o Dr. Robert Wojcieszak, Prof. Franck Dumeignil e Prof. Sébastien Paul. Minha jornada francesa, que começou como pós doutoranda com bolsa FAPESP-BEPE e depois com contrato francês, incluiu ainda colaborações com a indústria e outras instituições focando em processos catalíticos eficientes e sustentáveis, uma experiência que me conectou diretamente com desafios industriais.
Isso me trouxe ao Laboratório de Intensificação de Processos e Catálise (LIPCAT), na Universidade Federal do Rio de Janeiro, onde tive o privilégio de trabalhar com os Prof. João Monnerat Araújo Ribeiro de Almeida, Prof. Pedro Nothaft Romano, Prof. Donato Alexandre Gomes Aranda e Prof. Eduardo Falabella. Comecei como pós-doutoranda em um projeto envolvendo um processo catalítico industrial de conversão de CO2 a metanol e hidrocarbonetos. Desde 2023, como docente do Departamento de Química Inorgânica do Instituto de Química, integro projetos com empresas do setor químico e energético. Minha pesquisa foca na transformação de bioderivados por rotas catalíticas sustentáveis (oxidação seletiva, hidrogenação, hidrodesoxigenação em condições livres de base) e na formação de éteres de alta densidade energética para combustíveis avançados.
A catálise não apenas redefiniu minha trajetória profissional; ela revelou a essência da pesquisa: persistência, curiosidade e colaboração. Para os jovens pesquisadores, minha mensagem é clara: sigam sua paixão, busquem o "porquê" e ousem expandir fronteiras. A Química, através da catálise, oferece um universo para inovar e transformar o mundo. Sonhem grande e construam um futuro sustentável pela ciência!


