Sou natural de Vitória (ES), cidade onde realizei toda a minha formação até a graduação em Química pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Espírito Santo. No Ifes, ocorreu meu primeiro contato com a pesquisa por meio da iniciação científica, sob a orientação do professor Mauro Cesar Dias. Nesse período, tive a oportunidade de me familiarizar com técnicas e análises que não faziam parte da rotina das aulas de graduação. A experiência na iniciação científica despertou meu interesse pela pesquisa e me motivou a ingressar no mestrado.
A possibilidade de obter uma bolsa de mestrado foi determinante para que eu buscasse oportunidades em outro estado, garantindo suporte financeiro durante o curso. Agradeço aos meus pais pelo apoio para continuar minha formação, especialmente à minha mãe, Rita (in memoriam), que sempre se empenhou para que minha experiência longe de casa fosse a mais tranquila possível, permitindo que eu me dedicasse integralmente à pesquisa.
Iniciei, então, o mestrado na Universidade Federal Fluminense (UFF), sob a orientação do professor Fabio Barboza Passos, que se tornou uma grande referência profissional e pessoal. Sou muito grata pelas oportunidades, pelo incentivo e pela compreensão ao longo de todos esses anos. No início do mestrado, eu possuía apenas conhecimentos muito básicos em catálise, adquiridos durante uma disciplina optativa cursada na graduação. Escolhi desenvolver minha pesquisa nessa área por seu caráter interdisciplinar e pelo potencial de ampliar minha formação de maneira mais abrangente.
A pesquisa desenvolvida foi um estudo paralelo a um projeto já em andamento, executado em parceria com o Cenpes, que visava ao desenvolvimento de catalisadores mais resistentes à contaminação por enxofre para a reação de deslocamento gás-água. Foi um período de grande crescimento científico e pessoal, principalmente pela dinâmica e infraestrutura do RECAT. Por se tratar de um laboratório no qual os próprios pesquisadores realizam as análises, tive a oportunidade de operar diversos equipamentos de caracterização de materiais. As pessoas com quem convivi no laboratório também foram bastante importantes para minha evolução; todos os professores e alunos foram sempre solícitos.
Os resultados alcançados com a pesquisa foram promissores e culminaram na publicação de nossa primeira patente, em colaboração entre UFF e Petrobras. Diante desses resultados, optamos por dar continuidade à linha de pesquisa no doutorado, investigando novos materiais para a mesma reação. Este estudo se mantém relevante e continua sendo desenvolvido durante o pós-doutorado, graças ao apoio financeiro que tivemos ao longo do tempo da Petrobras, do CNPq (PDJ) e da Faperj (PDS).
Mesmo com tantos anos dedicada à mesma temática, tive a oportunidade de atuar em diferentes frentes ligadas à catálise e ao desenvolvimento de materiais, por meio de colaborações com diversos pesquisadores. Pude participar de estudos em outras linhas do grupo, em distintos laboratórios da própria UFF e de outras instituições.
Um dos eventos em comemoração aos 20 anos da SBCat incluiu uma premiação especial para o melhor pôster no 19º CBCAt (2017), realizada em parceria com a Royal Society of Chemistry, na qual tive a felicidade de ser selecionada. Também fui convidada para a cerimônia do Prêmio Inventor Petrobras 2025, em função do depósito de uma nova patente. Em 2026, recebi o prêmio “Mulheres na Ciência”, concedido às pesquisadoras do Programa de Pós-Graduação em Química da UFF, com base em critérios de produtividade e representatividade.
A catálise me concedeu a possibilidade de uma carreira (além de muitos amigos). Gostaria muito de ter a oportunidade de continuar trilhando esse caminho, não apenas pelo constante aprendizado que a área oferece, mas também pelo desejo de retribuir à sociedade e à comunidade científica tudo o que desenvolvi durante minha formação como pesquisadora.


